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III Dor de cotovelo

Quinta-feira, 10.05.12

[Se a inveja é uma coisa feia, o que dizer da dor de cotovelo?]

 

Para o Ricardo.

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Quando se assiste a um parto duas ideias sobressaem:

a) nunca mais vamos conseguir convencer aquela mulher esbracejando histérica, motivando-se a vernáculo, deitada na marquesa, a ter sexo connosco;

b) um homem não suportaria o suplício do nascimento;

Por questões de target passaremos, automaticamente, à alínea b.

Ao primeiro sinal de dor um varão grita habitualmente “homem ao mar”. Pede um time out permanente. Homem que é homem, no que diz respeito a dores, é uma menina.

A capacidade de um macho alfa adulto suportar um sofrimentozinho não vai além de uma constipação ligeira.

Mas não é nesse tipo de dor que nos deteremos, mas na de cotovelo.

   Mesmo o indivíduo com vida a puxar para o não fazer nada ambiciona ser multimilionário.

Quando não o consegue, fica com dor de cotovelo. Beliscando-se para confirmar que é o outro que continua a sê-lo (injustamente?!).

A situação oscila entre o cidadão comum e o realizador herói de box office rival de pares cobiçosos.  

A dor de cotovelo é universal. E omnipresente.

Não considera rendimentos.

Não pode ser amordaçada. Jamais será vencida.

Não tem disciplina de voto. Não reconhece autoridade.

Joga ao ataque.

   Se o cotovelo fosse um músculo estaria em constante contração. Ressabiado.

Embora definido como articulação entre o braço e o antebraço, a sua localização conquanto anatomicamente identificável e exacta diversifica-se (na minha opinião) e pode variar entre a inveja situada ao nível do abdominal definido alheio até ao ciúme na zona do coração.

   Tendo graus de intensidade, a dor de cotovelo é superior a uma cãibra, enxaqueca e, especulando, a um episódio menstrual.

Apesar de não escolher idade, a dor de cotovelo agudiza-se com o aumento desta.

Está identificada. Não sofre de obscurantismo. Nem propriedades misteriosas de tubérculo do Entroncamento.

Embaraça-nos. Admoesta-nos. Chama-nos a atenção.

   Exemplos:

   SITUAÇÃO N1 - PAÍSES

Portugal inveja Espanha, que cobiça a França, que lhe apetecia ser mais como a Alemanha que anda há anos de olho na Inglaterra que tem ânsias de ser como os EUA que já desejaram a Rússia.

   SITUAÇÃO N2 – DEUSES

Se em termos de criação divina existisse um Deus nº2, de certeza que na altura do génesis teria ficado Ensimesmado e cobiçando despeitado a ordem e capacidade do Deus nº1: o verbo, a luz e até a lembrança de despachar tudo em seis dias e descansar ao sétimo.

   SITUAÇÃO N3 – PESSOAS

A dor de cotovelo sobressai ante o novo-rico que, ostensivamente, passeia o bólide. Na presença do rústico endinheirado com a etiqueta a sair da algibeira Armani. Ante o grunho bem-apessoado.

É uma antena apontada ao espertalhão que se safa aos impostos.

   Conclusões:

A evidência de que a dor de cotovelo funciona com países, deuses e pessoas.

É inclusiva. Não se destina a ninguém em especial. Não apresenta limites populacionais, de género ou escalão etário.

   Em suma, a dor de cotovelo cede, facilmente, à pressão.

Irrita-se. Faz uma escandaleira.

Não tem unguente conhecido. Ou vacina. Resiste a antibióticos. Não se lhe conhece posologia adequada ou diagnóstico apropriado.

Viral?

Infiltra-se. Expande-se. Cresce em bola de neve.

   Consolo:

Apesar de dolorosa, a dor de cotovelo perde em importância para a única dor que preocupa, seriamente, qualquer homem honrado: a de corno.

   Tenho dito.

 

Nota: felizmente estava errado quanto à alínea a. A seu tempo a situação acaba por esclarecer-se.

 

THE END

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publicado por Máquina-da-Preguiça às 14:11









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