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III Destino é para quem acredita [versão I]

Quinta-feira, 17.05.12

The future is unwritten

Joe Strummer

 

Se o meu futuro vier com destino marcado, abdico já.

Quero tudo a que tenho direito. Calcorrear, por mim, trilhos traiçoeiros e escarpados, nem que isso me valha chispes de centopeia implodindo com bolhas.

Ao meu ritmo cadenciado. Dispenso ligação móvel e expedita à rede 4G.

  Além disso, recuso-me a admitir uma coisa que me pode, claramente, prejudicar.

De que não fui avisado das modalidades, spreads, características e potencialidades.

Sem considerandos justificativos, não estou interessado na subscrição.

Não contem comigo. Não me considerem para a estatística.

   Em rigor, o destino é como comprar por catálogo. Ainda que sem acesso a fotografia ilustrativa em baixa resolução. Com conhecimento indirecto e grandes margens de engano. De más escolhas. Satisfação pouco garantida. Um equívoco, onde o momento (tardio) de alívio é, claramente, o da prova.

   Quando me falam em destino fico com ganas de: queres ir resolver isso lá para fora?

Afino. Sinto-me defraudado. Uma propaganda enganosa made by Mad Men especialíssimos que nos convence que o melhor é termos um propósito assegurado. Mimetizando uma publicidade afiançando o escanhoado perfeito se lâmina e gel, entregue por mãos lúbricas ao Cro-Magnon bem apessoado a precisar de barbeado urgente, forem da mesma marca.

   Em relação ao destino não passamos de focas do Zoo, de boca escancarada, entusiasmadas com o jantar que lhes é atirado.

Interpreto-o como se me quisessem tirar a última palavra. Pressinto, prontamente, um shiu penalizador, contrariando a voluntariedade da minha participação.

   Não posso ouvir falar no destino. Percebem? Quem quiser que fique com o meu. Distribuam, como vos aprouver. Nada como um livre-arbítrio al dente. Não concordam?

   Quando me fundamentam alguma coisa com o destino sinto-o como um ataque pessoal. Como se não estivesse guardado para melhor. Uma prenda da tia solteirona que só nos vê no Natal (que nada sabe de nós) e nos oferece um agasalho.

   Não quero saber do “estava escrito”. Para mim o destino está ao alcance de uma borracha Rotring. E o futuro escreve-se a caneta rollerball e em folha com gramagem apropriada. Não é coisa provecta, do tempo do papiro.

   O futuro quer-se radioso. Galhofeiro como as músicas da Xana Toc Toc. Actualizado ao minuto. Individualizado e personalizado. Cada um com o seu. Não repartido às cegas pela turba.

   O destino desagrada-me, também, por não necessitar de autor. Não podemos olhá-lo nos olhos. Pedir-lhe explicações. Episódios suplementares. Personagens mais conseguidas. Enredo mais dinâmico e escaldante. É de produção anónima. Uma criação mal parida, sem igual.

É uma doença. Sem cura.

Definitivo como a morte.

É coisa para dinossauros.

Faz desaparecer civilizações inteiras.

   Não quero ter nada a ver com ele. A partir de agora vou viver para o presente. Não estou interessado em correr riscos com destinos despropositados.

Se ele me agarrar simulo. Faço-me, imediatamente, à falta. Lanço-me para o chão em pranto. Atiro, definitivamente, a toalha.

   O meu conselho é, pelo menos, não sabendo o que nos calha, guardá-lo para o fim. Ficando à espera de melhor. Da última moda.

Não hesitem!

Ou, recusarmo-nos acreditar nele. Para não haver dúvidas sobre quem manda.

 

 

[continua]

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publicado por Máquina-da-Preguiça às 17:07









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