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III Sem Reservas

Terça-feira, 22.05.12
Anthony Bourdain_No Reservations

É sabido que Anthony Bourdain esteve em Portugal. Não foi a primeira vez. Já estivera nos Açores e no norte do país. Foi, no entanto, a sua estreia em Lisboa.

Gravou um episódio dedicado à cidade para o seu mítico No Reservations (8ª temporada), no Travel Channel.

Com algum atraso, mão amiga permitiu-me a visualização.

   Anthony Bourdain esteve igual a sempre. Não seria de esperar o contrário. Leva anos de preparação tanto para ambientes adversos como hospitaleiros.

A luz era, claramente, a de Lisboa. Não havia que enganar. Contando, também, com azulejos antigos em paredes degradadas, ginjinha no Rossio, Cais do Sodré, Bairro Alto, reformados com passe social em dia viajando no eléctrico, fado, tejo, bacalhau e polvo acabado de apanhar. O fantasma de Salazar. Mais revolução implícita. O passado. Os traumas. Os traumas do passado. Mais conversa com António Lobo Antunes, igual a António Lobo Antunes, a fadista Carminho, José Diogo Quintela, Tozé Brito, Dead Combo sendo Dead Combo (com Tó Trips mais calado do que Pedro Gonçalves), os chefs Henrique Sá Pessoa, Stanisic, Henrique Avillez… e coentros, morcela de arroz, pregos, bifanas, o mercado de Alvalade, chinquilho, servindo de pretexto para velhos beberem copos de vinho…

O novo e o velho misturados. E bem. Tudo o que não se encontra em mais nenhuma parte do mundo. Portugueses sendo portugueses.

Se eu não nos conhecesse ficava a gostar de nós.

Nada de plástico. Dentro do espírito do programa.

Para ser franco, fosse eu Anthony Bourdain e, a partir de agora, todos os programas passavam a ser em Lisboa. Temos história suficiente para programas ilimitados. Ao contrário de muita nação jovem (pelo menos comparando connosco) que não duraria nem dez minutos.

   Tinha ficado espantado por algumas virgens escandalizadas (provavelmente do grupo que considera Bourdain um Tony Soprano arruaceiro) cuja pureza saiu, certamente ilesa, exigirem retratação pública por Bourdain não ter ido em busca do bilhete postal.

Insurgindo-se com o rumo que o episódio tinha levado. Mais escuro? Não percebi as lamúrias, nem a polémica complexada na altura, menos percebi depois. Enfadados por não verem no ecrã um exército engravatado de yuppies, Wall Street style bebericando Coca-Cola em opção com Fanta ou 7Up e degustando Fast Food de importação. Japoneses encavalitados de Nikon em riste encapsulando a Torre de Belém e os Jerónimos e outros ares de nação modernaça em ilusão de riqueza de telenovela, europeia e cosmopolita, exportadora de pastéis de nata. Gente para quem soa sempre melhor um I love you do que um amo-te.

Serem iguais aos demais ter-lhes-ia agrado mais.

Mas no fundo é isso que, também, nos caracteriza enquanto portugueses o novo, o velho e o costume.

E isso era, provavelmente, o que faltava no episódio. É preciso ser português para o entender.

   Em todo caso, penso que o melhor que há a dizer a esses senhores e em português é: barda m*rda!

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publicado por Máquina-da-Preguiça às 09:48









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