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III E Deus criou a mulher

Sábado, 29.09.12

We were together. I forget the rest.
Walt Whitman


Aparecem sempre por detrás de um grande homem. Suscitam mitos. Fizeram cair impérios. Foram alvo de cobiças. Inspiraram obras-primas. Fazem pulsar corações.

   Algumas destacam-se pelo sorriso de Gioconda. Outras pela forma como se passeiam em Ipanema. Pela coragem de Padeira de Aljubarrota. Pelo trágico de Maria Antonieta. Outras, ainda, por serem a nossa mãe.

    São musas, criaturas obsessivas no que aos sapatos diz respeito, termo de comparação com o pôr e nascer do sol, frescas como flores e são uma razão para viver ou dar a vida. Misteriosas, amigas, companheiras, amantes...

    Temos a balzaquiana, a femme fatale devoradora de homenscoquette, a loira explosiva, a bomba sexual. A todas é possível amar e delas dizer muito. 

     Descrevemo-las o melhor que conseguimos: as formas, os olhos, os seios, o sorriso, a voz. Através do som, da pedra, dos pigmentos. Obcecados por versos, melodias, enquadramentos e cambiantes.

   Invejamos-lhe a maternidade. Cobrimo-las de joias e criamos perfumes, especialmente, para si. Mas há uma única verdade insofismável que qualquer homem poderá garantir: possuímos sobre si uma compreensão limitada. Quando reclamam atenção, diálogo, da sala desarrumada e do ralo da banheira com cabelos.

Refiro-me às mulheres, claro!

     São delicadas, belas, mas também podem ser fortes. É um alívio que ter filhos seja uma coisa de mulher. Entregue aos homens ficaria pelo caminho.

      Estou convencido de que a poesia só existe porque precisamos dela para louvar o nosso amor por si. O mesmo se diga da música, da pintura, da escultura e das artes em geral.

Por elas construímos palácios, concedemos serenatas, fazemos declarações e trocamos votos. Em sua honra demos nomes de ruas e até o planeta é feminino.

    Ao longo dos séculos, as mulheres têm-nos obrigado às mais variadas coisas: a aprender a escrever, a pintar, a esculpir, a conseguir o escanhoado perfeito e a melhor combinação entre fato, gravata e camisa.

    Se é verdade que uma mulher se veste para outra mulher, é nela que pensamos quando nos arranjamos. É pelas mulheres que nos aprumamos. Que apresentamos as melhores maneiras e treinamos o requinte. Por elas abandonámos as cavernas. É por causa da mulher que o melhor de nós sobressai.

     A mulher libertou o homem da barbárie. Tirou-lhe os cotovelos de cima da mesa. Aparou-lhe o bigode e cortou-lhe as unhas.

Aprimorou-o e depois deixou-o ir em liberdade. Desinteressadamente, como os maiores gestos de amor.

   Sem mulheres os homens seriam incultos, barbudos e desprovidos de sensibilidade artística e necessidades estéticas e andariam desarranjados. Continuariam entregues à bestialidade e a serem sudoriferamente activos. Continuamente preocupados com guerras. Entretidos com disputas. 

A mulher amansou e civilizou o homem.

   Graças às mulheres vivemos num mundo repleto de hinos, odes, poemas, retratos, esculturas... Foram as mulheres que nos deram Modigliani, Paul Verlaine, Vinícius de Moraes...

Por causa delas o mundo não só sobreviveu como é hoje um sítio melhor, onde a beleza faz parte do nosso dia-a-dia.

   Apesar do longo caminho percorrido, muito há ainda para fazer. Falta tirar o homem de frente da televisão, ensiná-lo a não monopolizar o comando e a tirar os pés de cima da mesa do chá, arrancá-lo do sofá, mostrar-lhe que não deve deixar o tampo da sanita levantado nem encher o frigorífico com cerveja, pô-lo a fazer limpezas, a lavar o lavatório depois de fazer a barba, a sacudir os pés à entrada, a passear o cão. Mas só uma mulher teria a persistência necessária para o conseguir e só ela se proporia a semelhante tarefa. Podemos estar descansados.

    O que eu quero dizer é que primeiro eram as trevas e depois Deus criou a mulher e só então começou, realmente, o mundo.

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publicado por Máquina-da-Preguiça às 17:43









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