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III It's The End Of The World As We Know It (And I Feel Fine)

Sexta-feira, 21.12.12

21-12-2012

 

Por displicência levei a sério o fim do mundo. Até madruguei. Por alguma razão especial a espondilose agudiza-se nessas alturas. E achei que teria a ganhar com o avanço matinal. Aproveitar todas as horas, todos os minutos, todos os segundos como se fossem os últimos pareceu-me razoável.

   Resolvi, também, fazer um pequeno-almoço reforçado. De estômago vazio, cérebro e optimismo desfalecem. E finalizei com um café duplo. Cafeína e hidratos de carbono davam garantias de serem instrumentos fundamentais para contrariar o fim do mundo.

Salvo melhor opinião, nada como estar bem desperto e de papo apinhado para um fim do mundo que se aproxima.

     Sangue-frio, bom ânimo e um nascer do sol igual a sempre permaneceram, no entanto, intactos até final da manhã. O fim do mundo estava, ainda, longe.

    Por volta das dez e meia da manhã começara a sentir-me obrigado a fazer uma escolha dos meus livros e discos preferidos caso tivesse que fugir à pressa para algum lado que desse mais garantias de sobrevivência a fins do mundo. Examinei, olhos nos olhos, relatórios de terramotos e tsunamis e conversas TVI 24 entre Judite Sousa e Medina Carreira.

    Achei, também, incompreensível não me sentir tentado por uma reconciliação súbita com a transcendência mas, tendo em consideração todo aquele fim do mundo em ciclo roupa delicada, parecia-me despropositado. A única coisa de que precisava de ser salvo era de uma retransmissão de um jogo de futebol onde Jardel defendera a equipa da derrota certa, como São Jorge aniquilara sem misericórdia o dragão.

    Calmo e tranquilo, o fim do mundo contrastava com o sanguinário que imaginara. Um autêntico Domingo Vermelho falhara. Continuava ansioso por uma escaramuça planetária género irmãos Gallagher embriagados brigando pelo Beatle preferido, Liam e Noel atirando-se febris às jugulares fraternas em investida fratricida.  

    Durante a tarde, a situação permaneceu imperturbavelmente idêntica. Nada de diferente sucedera, nem nenhum Hipster radical contribuíra com nada de discrepante. Emails com confissões embaraçosas continuavam por enviar e bilhetes de despedida continuavam por escrever.

    São dezanove horas e trinta minutos. Finalmente, não ter açambarcado lacticínios e conservas parece-me ter sido uma óptima opção. As páginas especializadas em cataclismos apocalípticos e fins do mundo anunciados confirmam-se como ridículas.

O mundo está a planetas alinhados aquém do exigível para lhe por fim. Uma oportunidade perdida dirão os sibilinos se nada mudar, entretanto.

    Não sei o que vai acontecer a seguir mas, continuo a acreditar que até ao final vai correr tudo bem. Vou até desperdiçar mais quarenta e cinco minutos a ver a segunda parte de uma retransmissão de um jogo de um campeonato com alguns anos. Jardel continua a marcar.

Penso que estamos salvos, naquele ano, apesar de todas as dificuldades, ganhámos o campeonato. Só pode ser um bom presságio.

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publicado por Máquina-da-Preguiça às 18:58









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