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III Um dia a precisar de cem anos

Sexta-feira, 08.03.13

Em relação aos dias, há os que parece que duram uma eternidade, o contrário desses - os que nunca chegam - e os que passam a correr. 

A propósito deles há quem acabe a pensar no de ontem e quem se fique pela sua espuma. 

    Conscientes de que há coisas de que não nos lembramos, outras que nos escapam e outras, ainda, que precisamos que nos lembrem, apesar de escrevemos na agenda, tomarmos nota em sítio visível ou pedirmos que nos avisem, para certos acontecimentos temos dias especiais.

Enfatizam desde os segredos do orgasmo, a vitórias das revoltas sindicais, ideais e efemérides. Acabam celebrados, festejados, a servir de pretexto e deviam ser mais vezes, acabamos por concluir. 

Por causa deles temos vontade de aldrabar a periodicidade, de arrancar folhas ao calendário, trocar ciclos solares, mudar as marés e as fases da lua.

   São dias que existem pela importância, pelo que representam, pelo que evocam, pelo que permitem, por aquilo a que estão associados. Dedicados a desportistas, artistas, políticos, descobridores, revolucionários, médicos e personalidades em geral. Alguns tornam-se feriados, nomes de praças, de ruas e estátuas.

   Hoje é dia da mulher. De todas. Conhecidas, desconhecidas, figuras públicas e anónimas.  

Pelas mais variadas razões. Apesar de existirem dias que não deviam precisar de ser dias, hoje é dia da mulher. 

Nele se incluem as avós que nos ofereceram lições de vida, mães que nos carregaram, tiraram a febre e mudaram as fraldas, esposas que tiveram os nossos filhos, a parteira que nos ajudou a nascer e a professora que nos ensinou complementos e adjectivações.

   Ninguém me tira da ideia que foi um homem com a consciência pesada (representante de todos os outros) a contas com caixotes do lixo por despejar, camas por fazer, pó acumulado e barba por tirar do ralo que propôs o dia da mulher. Sinto-me em dívida. Também eu tenho tapetes por sacudir e roupa e secretária por arrumar. Por mim mulher escrevia-se sempre em maiúsculas. MULHER. 

   Pela maternidade, sensibilidade, beleza, intuição, força, inteligência a mulher merece pelo menos um ano e não seria exagero dedicar-lhe uma década ou não era despropositado um século inteiro só para si. 

Até porque, como é do conhecimento geral, um dia não são dias. 

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publicado por Máquina-da-Preguiça às 09:28









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