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III Um dia igual aos outros

Segunda-feira, 01.04.13

Uma mentira repetida mil vezes torna-se uma verdade

Joseph Goebbels

Hoje é dia das mentiras. Não me diga que acreditou que este ano era feriado?!

Diariamente biliões de mentiras são ditas e repetidas. As vítimas são incontáveis: padecentes do conto do vigário, iludidos por projectos seguros, aventureiros de El Dorado, apostadores de chaves infalíveis, apaixonados de amor eterno, indefectíveis da confiança, sonhadores.

   Não restam dúvidas de que a mentira se trivializou. Mesmo com perna curta, até ser apanhada, consegue chegar longe e aliciar os incautos.

   Neste preciso momento em alguma parte alguém está a dizer uma: juras de amor falsas, promessas que ficarão por cumprir, entregas por fazer, aumentos por atribuir, datas que falharão, acordos que serão violados, objectivos que não vingarão, cavalheiros que se demonstrarão crápulas, virgens que não passarão de rameiras, ouro que se revelará fancaria.

   Gente há que se deixa ir na conversa, encolhendo os ombros e estatelando-se na esparrela. Vivendo uma ou numa mentira. Abrindo mão da realidade por troca com a  ilusão. 

Se o mundo é um palco e representar é fingir a mentira, também, faz parte da representação, acharão alguns.

   A mentira mina a confiança. Infiltra-se. Disfarça-se e aproveita-se da credulidade, da confiança, das guardas em baixo, da distração e consegue o que quer.

Mas, a mentira também concede estrelas ao hotel e nota à avaliação. Põe-nos a correr mais rápido e durante mais tempo. Melhora-nos o handicap. Faz-nos ganhar tempo. Avaria-nos a impressora, perde-nos rede, mata-nos familiares e põe-nos onde não estamos. Tira-nos peso, faz- nos mais inteligentes, apresenta- nos como mais novos e é capaz de nos garantir maior importância. Acrescenta-nos cilindrada no carro, arranja-nos namoradas modelo e põe-nos a fazer compras na 5ª Avenida. Aumenta-nos o rendimento, consegue-nos votos, garante-nos habilitações, baixa-nos o défice e faz-nos disparar a produtividade e as exportações.

É por isso que uma boa mentira passa despercebida, soa-nos bem e dá-nos a volta. Não se dá por ela. Assume-se como verdade e tenta fazer as suas vezes.

   A mentira é a peta, a meia verdade, o embuste, a burla, o escândalo. Outras vezes, só o dado como já provado. Faz estragos!

Também há as misericordiosas, mas as piores (com melhores resultados) são as que passam despercebidas, as que não se dá por elas.

   Em suma, mentir melhora, modifica ou altera as coisas, mas nunca deixa como está ou como devia ser. Tem contornos de uma fuga à verdade. Um menosprezo pela exactidão.

   Um mentiroso é um charlatão. Ludibria-nos, manda-nos noutra direcção, conta-nos de outra maneira. Mas, também, pode ser um artista fazendo- nos acreditar no improvável e fazendo-nos sentir melhor.

Deixe que lhe diga que essa côr lhe fica magnificamente. Acredite!

Agora repita comigo: a crise acabou, a crise acabou, a crise acabou,  a crise acabou... mil vezes.

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publicado por Máquina-da-Preguiça às 15:49









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