Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]



III Quem fala verdade não merece a mentira

Domingo, 08.04.12

Queria que se entendessem quanto à austeridade. Que não errassem nas contas. Incluindo o que vem de trás. Amigas do cidadão. Comum. Sem tropeções. Ou rasteiras. Que não dessem o dito pelo não dito. A volta e não volta aos mercados. Que se pusessem de acordo. E, desculpando o incómodo, que se acertassem, de vez, datas.

   Preciso de esclarecimentos. Sigo os alertas. Mal vislumbro fumo grito, imediatamente, fogo. Estou em sintonia.

   Sinto o estômago pesado dos sacrifícios (uma azia generalizada). Uma realidade exigente. Refém da Troika. De nós mesmos. Que não vai em confortos, nem passa a Rennies. Não espera. Avessa a feriados. Desumana. Que nos limita.

   Ando apertado pelos furos no cinto da contenção. Em roda-viva no carrossel dos aflitos. Ânimo baixo pelas expectativas. Arrumado na prateleira dos desprevenidos. Agonizo em penitência financeira.

   Estou economicamente em alerta amarelo. Em banho-maria. Controlo spreads. Averiguo juros.

   Contenho-me.

   Temo pela segurança da minha reforma. Percebi que a saúde anda por um fio. Pela hora da morte. A justiça demora o seu tempo. Que em relação à segurança mais vale prevenir. Conformei-me (temporariamente?) com os doze meses. Justifico-me com o ciclo solar (?).

   Ando ao mais barato. De olho posto nas promoções. Nos saldos. Rebajas. Leve 3 e pague 2. Não compro sem desconto. Não vou em créditos. Cartões só de S. Valentim.

   Poupo nos aditivos do combustível. Não sou exigente com as octanas. Escarneço da auto-estrada.

Não vou em marcas. A não ser brancas. Preto no branco.

Dou tudo pelo grátis. Opto pelo mais em conta.

Concordo com os clichés: Quem não poupa água nem lenha, não poupa nada do que tenha.

Não tenho outro remédio do que preferir os genéricos.

Reciclo. Re-utilizo. Invento. Volto a por na moda. Não embarco em tendências.

Não tenho para a caridade.

Desligo interruptores. Dou caça às lâmpadas não económicas. Procuro torneiras gotejando tresmalhadas. Vivo em regime de tarifário económico.

   Estou em dieta de periódicos. Vou ao café. As notícias chegam-me com delay. Dia sim, dia não. É o bastante. Vivo bem com isso. Confronto-me com pensionistas impiedosos, fiéis ao Correio da Manhã. Um semanário fica-me pelo preço de uma bica.

Requisito em bibliotecas. Um romance, uma antologia de poesia e um livro de crónicas custam-me um descafeinado e um pastel de nata.

Televisivamente adiro ao público. Colo o ouvido ao rádio.

   Acredito que vai passar. Como bom português. Saudoso e o resto. Que as coisas vão mudar. Ainda que não se fique como dantes. «Se a gente não acreditar em nós, quanto mais os outros», insinua-se.

   Esquecendo:

«O que nos havia de acontecer!»

«Conheço um caso…»

«Soubesse eu o que sei hoje».

   Há-de melhorar. Ganhar perfil de Era uma vez. O futuro entregue, novamente, às crianças. Só não sei quando. Aguardo pelo dia D. Quando o nevoeiro levantar. Estou à coca. Melhores tempos virão.

Tudo está bem quando acaba bem.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Máquina-da-Preguiça às 09:53


1 comentário

De LWillow a 09.04.2012 às 00:25

Retratas a saga do cidadão comum da classe média-baixa que mesmo assim ainda tem o tal combustível sem aditivos e os bens de linha branca e o spread e a televisão etc, , mas o que me causa mais estranheza e me baralha mais as ideias é o facto de saber que na Europa do Sul aumenta exponencialmente o número de gente que já nada disto tem na sua rotina em contradição com a aparente apatia e resignação que as move. Gradualmente existem todas as condições para uma guerra civil ou no mínimo para a constituição de milícias extremistas e ... a esterilidade civil impera . Pelos vistos o 'sistema' está refinado e o 'Big Brother' está a esfregar a mãos de regozijo. Falta pouco para que os 'Sex Pistols' e o refrão 'No Future' sejam absorvidos para integrar o 'jingle' de um anúncio 'anti cursos formais' e 'pró novas oportunidades' , o que nos leva a outro refinamento do sistema político-cultural : aumento de 'serviçais' e minimização de 'pensadores' . Tudo isto é uma Torre de Babel que degrau a degrau irá provavelmente levar a civilização a uma Era de desigualdades sociais e escravatura humana ao nível da antiga Idade Média , só que agora com o pano de fundo da cibernáutica e dos 4D , uma refinação do obscurantismo da degradação humana e 'da mão que embala o berço', sendo o tempo presente o limbo do que há-de ser o espectro final deste séc.XXI . Ou será que a arraia-miúda de hoje terá ainda o canto do cisne que a imortalizará ?? "A esperança é a última a morrer", dizem aqueles que vão agudizando mas que simultâneamente se vão resignando por ainda o poderem dizer estando 'vivos' , mas o importante acontecerá quando a esperança de facto morrer e libertar o ser humano para o que ele poderá fazer sem esse sedativo. O Deus do Homem não está nos Céus . Sempre foi e será o MEDO . E poucos têm sido aqueles que o ousam desafiar pois de facto ele é quase Omnipotente e Omnipresente.

Comentar post









arquivos

  1. 2013
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2012
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D





pesquisar

Pesquisar no Blog  





comentários recentes

  • numadeletra

    Dramas balneares :-)

  • Maria

    Que delícia!!!

  • Sandra

    :) Se descobrires como se treina esse optimismo , ...

  • LWillow

    Dietas 'é uma coisa que não me assiste' e assim s...

  • LWillow

    http://www.youtube.com/watch?v=BV-dOF7yFTw

  • LWillow

    ehehehe! 'tamos nessa' 'brother' ! Mais um bom tex...

  • LWillow

    Thanks ! this reading was a pleasure !

  • Anónimo

    Aperta faneca! Vamos a Estocolmo sacar o guito! Su...

  • Lwillow

    Ora aqui está mais uma 'pérola para porcos' ! O mo...

  • LWillow

    Como eu te percebo ! Mas ... 'não há volta a dar-l...


REDES SOCIAIS