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III Os dias que já foram dos Madredeus

Quarta-feira, 11.04.12

Lembro-me dos Madredeus gravando à la Trinnity Session [Cowboy Junkies, 1988] e aparecendo com Os Dias da Madredeus [Teresa Salgueiro, Pedro Ayres Magalhães, Gabriel Gomes, Rodrigo Leão, Francisco Ribeiro, 1988]. Especial. Distinguindo-se do que se fazia na altura. Passavam de mão em mão, numa espécie de clandestinidade egoísta. Convicta de possuir algo que, de tão especial, não se quer partilhado com todos. Numa exigência quase iniciática. Eram assim os Madredeus. Para quem, como eu, gostava (muito) deles. Só para alguns.

   Encontrei, nessa altura, Pedro Ayres de Magalhães perdido num Volkswagen carocha (preto?), depois de um concerto dos Madredeus a que eu assistira, procurando a auto-estrada. Penso que lamentávamos ambos as condições em que se dera. Os Madredeus tinham uma musicalidade que exigia espaços adequados. Numa análise meramente acústica davam-se bem na religiosidade.

   Os Madredeus estão diferentes. Já não têm Teresa Salgueiro (com O Mistério, álbum de originais, pronto). Francisco Ribeiro faleceu em Setembro de 2010. Já não se ouve o acordeão de Gabriel Gomes, que anda associado ao projecto TJAK, partilhando-o com Vítor Bandeira e Pedro Sotiry. Rodrigo Leão com ou sem Vox Ensemble ou Cinema Ensemble vai coleccionando prémios e aplausos.

   Os novos Madredeus têm um disco novo: Essência (tocado tal e qual as pautas originais dos Madredeus, mas com arranjos para cordas). Assinala os 25 anos dos Madredeus. À guitarra clássica de Pedro Ayres de Magalhães e aos sintetizadores de Carlos Maria Trindade, associam-se as cordas de Varrecoso, de António Figueiredo e Luís Clode.

Têm também outra voz (Beatriz Nunes). Diferente. Igualmente boa. O problema não está aí.

Os Madredeus querem ser de todos. Pedro Ayres de Magalhães tem dado muitas entrevistas. Satisfeito com o novo disco. Não há nada de mal nisso. Mas não é a mesma coisa.

O problema (e é aí que ele está) é que com o tempo, às vezes, se perde o essencial. Mesmo se quando ao ouvirmos as pessoas elas não parecerem perdidas.

Mas isso é a minha opinião. E eu nem sempre me importo de estar enganado.

 

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publicado por Máquina-da-Preguiça às 10:00


1 comentário

De Lwillow a 11.04.2012 às 23:49

Também tive a oportunidade de conviver pessoalmente com o Pedro Ayres de Magalhães (quando este era conhecido pelo 'Dedos de Tubarão' e fazia parte dos 'Faíscas') tendo eu mais recentemente também feito parte da mística que envolvia os fãs de 'Madredeus' . A Teresa Salgueiro é também daquelas 'musas cantoras' que dificilmente nós ponderamos 'substituir' e, 'por estas e por outras', a notícia do novo àlbum dos Madredeus afectou em mim um instantâneo sentimento de 'desvalorização do produto' . Passado este 'estado de espírito' espero vir a ouvir o referido àlbum com 'ouvidos de ouvir' e depois logo te direi o meu veredicto .

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