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III O mundo faz-se em menos de três minutos

Segunda-feira, 16.04.12

Behind the image was ignorance and fear

PiL, The Public Image

 

 

John Lydon

Caro John Lydon (ou, devo dizer, Johnny Rotten?)


Never Mind the Bollocks, Here's the Sex Pistols (ou simplesmente Never Mind the Bollocks), único álbum de estúdio dos Sex Pistols saiu a 27 de Outubro de 1977, como é do conhecimento geral. Digo isto porque esse seria provavelmente o único aniversário relevante a lembrar de uma carreira decadente, o que deixa concluir que à data desta carta nem isso a justifica. Também não quero alimentar vaidades ou ter uma atitude de alguém que vai à televisão e acaba a dar os parabéns pelo programa ao apresentador. A única coisa que há a registar é um disco novo pronto, após vinte anos, dos PiL. A lot considering...

   Não posso dizer que Never Mind the Bollocks tenha mudado a minha vida, mas atormentou-a durante algum tempo e, ainda hoje, retorna como fantasma dos natais passados para me assombrar.

Em 2003, a Rolling Stone colocou-o no 41º lugar na sua lista dos 500 melhores álbuns de todos os tempos.

   Proud, you f*cking bastard?

  Há algo de admiravelmente estúpido em alguém que não sabe escolher uma luta. Ou que inicia uma que não pode vencer. Especialmente com soldados tão mal preparados. Essa é, pelo menos, a minha visão da história.

Uma batalha constante até ao fim. Puro caos.

Blood spit & anarchy.

Acordes à conta e arrogância de sobra.

Ingenuidade e loucura.

   Well, Mr. Rotten there’s someting to admire.

   At some point, even stupidy can be admirable.

Não podemos esquecer Malcolm McLaren, mas sem Johnny Rotten não havia a interpretação (podre).

Relação?

No que respeita aos Sex Pistols, nunca se poderá falar de amor. Será, sempre, mais adultério.

Ou divórcio sem nunca ter havido casamento.

Claro que houve baixas (Sid Vicious). Como não?

Mas é inegável: o punk é um rude golpe na vulgaridade.

É ultraje.

Viscosidade.

É tudo o que odiamos. Tudo o que não devíamos gostar.

Estou certo?

   You had the most powerful army!

Never Mind the Bollocks provou que era possível criar um mundo sem conhecer absolutamente nada da tabela periódica, em modelo Do it Yourself (D.I.Y), recursos plug & play, precisando menos de três minutos para o fazer. Tempo de sobra para alguém (sem muito para dizer) “cantar” alguma coisa para a pouca gente disponível para ouvir.

Se quiserem um disco complicado comprem o vosso próprio George Martin. Ninguém precisa de mais Beatles.

D.I.Y.

Ora, isso comporta riscos.

Um punk é como o familiar que embaraça a família sempre que aparece para a festa.

É desordem. É menos que humano. Uma aberração. Por isso precisamos deles para apreciar a beleza e desejarmos a harmonia.

   Se o mundo tivesse começado com o punk, já há muito que nos tínhamos visto livre dele, mas Deus guardou-o para mais tarde por não saber o que fazer com ele.

   Há um mundo antes dos Sex Pistols (a. SP) e depois dos Sex Pistols (d. SP).

   I’ll give you that!

Esqueçamos a rainha: God save Johnny Rotten and friends. Enquanto existir um punk continuará vivo.

Num mundo d. SP If you want something D.I.Y. Essa é a grande lição.

Para terminar, para os mais novos os Sex Pistols numa palavra: grotesco.

   Está o punk morto?

Se está deixem-no ficar. Certas coisas soam melhor podres.

   Right, Mr. Rotten?

    Destroy!

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publicado por Máquina-da-Preguiça às 10:00


2 comentários

De Ricardo a 16.04.2012 às 20:01

Muito bom, todos temos um Johnny Rotten dentro de nós não concorda?

"A Cheap holiday in other peoples misery !"

De Lwillow a 16.04.2012 às 22:07

Um texto pouco 'punk' mas que integra algumas frases 'bem conseguidas'. O punk foi um movimento /'atmosfera' muito peculiar, pois ( ao contrário de outros/as: hippie , grunge, disco, country, new-wave, pop, heavy-metal, etc,etc, ) é/foi um 'lifestyle' com curta 'esperança de vida' e de difícil 'clonagem' . Ao contrário do outros movimentos musicais mencionados , o 'verdadeiro' punk não dá 'margem de manobra' para se poder existir 'integrado' em sociedade e por isso é-se uma vez punk mas nunca se poderá viver punk.
Em tempos idos da minha vida tentei ser 'supporter' desta 'onda' e durante um par de anos 'dei-me ao luxo' de integrar várias acções que poderiam ser aceites como próximas da 'ideia-génese' deste 'movimento'. Recordo desses tempos as idas à cervejaria Trindade e as 'banhadas em fuga' que faziam parte da 'recruta obrigatória ' dos punks lisboetas ( com o saudoso Leonel dos 'Aqui D'el l Rock' que no regresso a casa - 'a pé' - fazia questão de saltar sempre para dentro de um quintal a fim de retirar uma flor que de seguida oferecia à Vanda ) e as 'teatralizações de rua' ao som dos MX 80 Sound (banda pós-punk de Indiana e a faixa 'we are so civilized' ) .
'Punks are not dead' , but they will never be punks again (digo eu) .

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