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III A Grande Arte

Sexta-feira, 09.03.12

 

Caro Rubem Fonseca

 

Há uma proximidade siamesa entre os que apreciam um bom tinto português. Uma ligação inabalável através do palato. Especialmente se esse gosto for acompanhado, com igual veemência, pelo dos livros e respeito pelos grandes autores.

Com uma história das letras repleta de génios para quê perder tempo com o que aconteceu nos intervalos, não é verdade?

A ligação é possível de suceder mesmo entre leitor e escritor. Mesmo quando se trata de um mestre, concentrado como um funâmbulo, caminhando ágil pelo fio da navalha para lado nenhum. Tendo lá chegado. Astuto. Num percurso imperturbável: observar, descrever, narrar, dialogar: Viver. Desde 1963 com a primeira edição.

Um instante. Há uma garrafa de Periquita a necessitar de atenção.

Onde íamos? Sim, claro um grande escritor. Óbvio! Senão vejamos, excluindo a perda do primeiro manuscrito pelo velho editor e proibições à parte (Feliz Ano Novo (1975)): Lúcia MacCartney, O Buraco na Parede, Secreções, excreções e desatinos, A Grande Arte, Agosto, Bufo & Spallanzani, O Seminarista, A bíblia e a bengala…

Precisa mais?

        Com o passar dos anos (de leituras) ganha-se uma certa familiaridade. Ada, a gata Elizabeth comendo sardinha fresca. Não fora a idade e até Wexler acabava com tratamento próximo.

Um momento… a garrafa de Periquita. Precisa respirar…

Bem, a unanimidade (parabéns pelo prémio Camões!) nem sempre é boa. Pode muito bem ser traiçoeira ou comprada. Até porque a idade nem sempre é sábia. Pode ser só decrépita. Velhos são mais do que os trapos! Também são gente.

Para muitos (a maioria das vezes os críticos), há coisas que só a morte consegue perdoar (as opções, por exemplo). Não há meio mais eficaz do que ela para inocentar. Mas é preciso esperar por ela. Pagando com a consequência desagradável de não estar presente para ser ressarcido.

No seu caso, ela (a unanimidade do reconhecimento) acabou por chegar (em vida) e merecidamente. Embora ainda prevaleçam alguns fogos-fátuos que reacendem certas fogueiras das vaidades, onde se aquecem os ânimos dos que prodigalizam um suposto academismo erudito (?). Os que se se sentem desconfortáveis em matérias de sexo e hipocritamente conscientes em relação à gratuitidade da violência. Temendo o cru. Obcecados com a perigosidade das salmonelas do gosto (bom?). Sem compreender que o que nasce do vulgar também pode ser extraordinário. Espreitando virginais pelo buraco da fechadura.

         Nem sempre se percebe quem são os maus. E de que lados estamos. Afinal, os bons também trocam de lugar. Verdade? Podemos lidar toda a vida (literária) com escroques, ninfetas, advogados (a arte confunde-se com a vida?), mulheres acumulando amantes, homens acumulando mulheres, prostitutas, assassinos, polícias (os tiras do Rio) e burlões, viver em prostíbulos e num mundo de facas com o personagem Hermes que, ainda assim, não há consenso (felizmente?) acerca do que é a dignidade e onde reside. O que é óptimo, pois dessa maneira ninguém no-la pode roubar.

       Não há acordo ortográfico que nos aproxime. Nem mesmo as raízes comuns (Trás-os-Montes, certo?), da mesma maneira que o amor pela literatura. É nele que se alicerça a grande arte.

      Posso? Humm, excelente aroma, não? Melhor que uma boa adega recheada de néctares só um bom sebo (alfarrabista) repleto de clássicos a bom preço para garimpar.

Charuto?

Servido, Mandrake?

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publicado por Máquina-da-Preguiça às 21:48









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