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III Charles Bukowski, sacana sem lei: não tente

Quinta-feira, 19.04.12

washed-up, on shore, the old yellow notebook

out again

I write from the bed

as I did last

year.

will see the doctor,

Monday.

"yes, doctor, weak legs, vertigo, head-

aches and my back

hurts."

"are you drinking?" he will ask.

"are you getting your

exercise, your

vitamins?"

I think that I am just ill

with life, the same stale yet

fluctuating

factors.

even at the track

I watch the horses run by

and it seems

meaningless.

I leave early after buying tickets on the

remaining races.

"taking off?" asks the motel

clerk.

"yes, it's boring,"

I tell him.

"If you think it's boring

out there," he tells me, "you oughta be

back here."

so here I am

propped up against my pillows

again

just an old guy

just an old writer

with a yellow

notebook.

something is

walking across the

floor

toward

me.

oh, it's just

my cat

this

time.

 

Charles Bukowski (1920-1994), Are You Drinking?

 

Charles Bukowski


Caro Charles Bukowski, (ou devo dizer Henry Chinaski?)

 

Afinal, quem é? Começo por aí.

Charles Bukowski: degenerado incorrigível, vagabundo, alcoólico, sacana. Nada mais?

Vítima ou agressor?

   O que esperar de alguém que bebe com sofreguidão um cocktail com partes desiguais de: Hemingway, Dostoiévski e whisky barato? Nada? Ou tudo?

   O que devemos sentir por Bukowski? Repulsa, atracção, nojo, ódio, amor, paixão e tristeza? Pena ou admiração?

   Qual foi a sensação de viver sob o signo da transgressão? Andar insurrecto pela vida como num constante combate, sem nunca sair do tapete. Viver em knockout. Excluído do American dream.

A vida tem a forma de um Complexo de Édipo que se prolonga até ao final? Queremos todos matar o pai?

Afinal quem vinha primeiro? As mulheres? O álcool?

Ele é, entre tragos, o instrumento perfeito para o esquecimento, para a tortura, para encorajar, para inebriar? Diminui ou aumenta? Esconde ou mostra?

E era a arte que imitava a vida ou esta que se lhe assemelhava? Sinto que eram uma e mesma coisa. Mas não me quero adiantar…

O que tem de atrativo uma vida errante? Se têm que nos explicar, provavelmente não vamos perceber. Não é verdade?

E o obsceno?

   Não consigo imaginar as noites alucinantes de trabalho cujo esforço acabava enviado para publicações literárias independentes americanas. Esperança ou alívio?

Nem a cara (de espanto?) quando chegou a resposta da editora da revista Harlequin, Barbara Frye (que o julgava génio). Ou quando ela, durante a troca de correspondência, declarou que nenhum homem se casaria com ela. E a sua resposta foi: «Eu caso», o que aconteceu após se conhecerem pessoalmente. Durou pouco tempo (o suficiente para conhecer o verdadeiro eu?). O que é que existe para perdurar?

   O túmulo de Oscar Wilde foi, recentemente, recuperado porque a pedra de que era feito se estava a deteriorar com as homenagens dos admiradores. Há algo de poético num túmulo que se desfaz com beijos. No seu pode ler-se «Don’t try». Rejeição? Aviso para os incautos? Irónico, não?

Como é irónico um renegado ser apanhado pelo celulóide de Hollywood em Barfly [de Barbet Schroeder, com Mickey Rourke, Faye Dunaway, 1987.], dando a descobrir o que já estava nas obras (mais de 50 livros, não contando com as publicações duvidosas) e leituras (polémicas muitas vezes) feitas nas universidades. Alargando o público. Humanizando?

   Não há dúvida de que alguns são feitos de material altamente combustível e ardem até ao final.

É mais seguro não tentar comparar-se-lhes. Evitamos o K.O..

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publicado por Máquina-da-Preguiça às 10:00


1 comentário

De Eliza a 19.04.2012 às 14:42

Bukowski is Bukowski is Bukowski.
Quando em dúvida, no fim, aprendi ser saudável (sim, saudável) perguntar-me a mim mesma 'What would Bukowski do?' Resolve. 'Do it if it roars out of you', 'Do it if being still drives you to madness or suicide or murder', 'Do it because there is no other way and there never was', &c.

E o epitáfio, mais um wake-up call. 'Don't try', just do, do, do. 'Don't try. Don't work. It's there. It's been looking right at us, aching to kick out of the closed womb.'
As tentativas são sempre só isso, não são? Tentativas. Não explodem em coisa alguma. Henry Charles, you old wise prick, you.


http://assets.flavorwire.com/wp-content/uploads/2010/11/bukowski.jpg

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