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III A orelha de Van Gogh

Segunda-feira, 26.03.12

Nascemos todos com vontade de amar. Ser amado é secundário.

Prejudica o amor que muitas vezes o antecede.

 

Miguel Esteves Cardoso, O Amor é Fodido, Assírio & Alvim, 1994.

 

 

Ele diz para ela: «É só um beijo». «Não», responde ela. «Este é diferente», acrescenta. E ele de coração despedaçado desiste e volta para o recreio cheio de nódoas negras. Do primeiro amor não correspondido. Sem Hirudoid para as curar.

   O cínico dirá que a única razão porque nos lembramos do primeiro beijo é porque não foi grande coisa. Mas se há coisa que Miguel Esteves Cardoso (MEC) nos ensinou é que O Amor é fodido. O que é muito mais convincente (pelo menos para mim) do que dizer que «é fogo que arde sem se ver». Talvez essa fosse uma abordagem interessante na época de Camões, mas os tempos são outros.

  Há dias em que temos o nosso quê de Mick Jagger orgulhosamente reconhecendo I’m Lucky at Love, mas na maioria dos casos e dos dias andamos macambuziamente Morrissey, ensimesmados, em pose Last night I dreamt that somebody loved me. É assim o amor.

Leva-nos à loucura. Em cada um de nós passa a haver um Van Gogh disposto a cortar uma orelha.

Alucina-nos. Tem sintomas de quem toma metanfetaminas.

Segundo o poeta, inspira cartas ridículas.

Exageradas, pungentes, apaixonadas. Quem não as escreveu?

Dá-nos vontades. Ânsias. Se se proporcionasse adoptávamos Oliver Twist.

Embaraça-nos. Por ciúme leva-nos a atitudes make my day punk. Irreflectidas. Arriscadas.

É fruto de uma vocação ancestral de procurar a outra metade. Gémeos frustrados. O meu reino por uma alma gémea.

É um murro no estômago. Um pontapé nos… Percebem, certo?

   It´s a dirty job but somebody got to do it.

Tem poderes alquímicos. Transforma sapos em príncipes.

Vende melhor do que pãezinhos quentes. Mas, sai caro. Não é uma pechincha baratucha do eBay.

Acerca dele como em relação ao que importa só sabemos que nada sabemos.

   E, anos mais tarde, mais experientes, percebemos que ela tinha razão, era um beijo diferente. Era o primeiro.

   É isso o amor. Fodido. Os anos passam, mas…

Quem não aprendeu foi porque não quis. No hope, no harm Just another false alarm, comentaria Morrissey com os The Smiths.

Obrigado MEC pela lição.

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publicado por Carlos M. J. Alves às 15:42





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