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III F*ck The Dandy Warhols

Sexta-feira, 30.03.12

Para os meus amigos e, em especial, para o Celso que conseguiu imaginar a minha Máquina da Preguiça, sem ser preciso grandes explicações (aquele desenho magnífico no topo da página). It takes one to know one.

 

 

Ao quarto álbum de estúdio os Dandy Warhols saíram-se com We used to be friends. Para sempre lhes ficarei agradecido por Bohemian like you mas, em relação a amizade, sou mais Friends will be friends.

    Os nossos amigos são sempre bonitos. São sempre inteligentes. São perfeitos. Como os sonhos em que nunca se morre.

Dissipam-nos as dúvidas. Aconselham-nos. Estão lá. Ou cá. Onde for preciso. Sem eles o mundo era um sítio pior.

Para um amigo tudo nos assenta na perfeição. Tudo nos cai bem. E quando isso não acontece, compreende. Não vê mal.

Um amigo tem honras de veto presidencial. Tem poder de absolvição papal. Convence-nos. Vê as coisas melhor do que nós.

Podemos aparecer-lhe chorosos, com as tripas na mão. Armados em mariquinhas-pés-de-salsa, que ainda assim...

Com desejos de grávida.

    Penso que sabem do que estou a falar. Não são precisas grandes considerações. Os amigos são iguais em todo lado.

Obrigado aos meus. Os melhores.

 

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publicado por Carlos M. J. Alves às 14:53

III Smoke on the Water

Quinta-feira, 22.03.12

Do conhecimento que tenho (felizmente indirecto) o divórcio litigioso é sempre desagradável. Especialmente se parte de uma relação inseparável. Duradoura. Ando a pensar num. Quero acabar com o tabaco. Ando Freddie Mercury em ritmo I want to break free. Quero deixar de fumar, mas a separação tem sido tempestuosa. Litigiosa.

      Sem nicotina oscilo, maníaco-depressivamente, entre a Madre Teresa e Howard Stern. Somewhere in between. Na minha cabeça ecoa um Varése em centrifugação. Só por isso, eu e todos os que estão na minha situação deviam ver alguns crimes permitidos.

   Deixar de fumar tem-me feito tanto sentido como um “bué” descontextualizado dito para parecer moderno.

      Ando perdido na parte do começar. Tem sido um longo começo.

Arranjar razões é o mais fácil. Caço lições num safari organizado por Pedro Rolo Duarte em Fumo (deixar de fumar é lixado) e mais 80 lições que eu vivi, edição Oficina do Livro de 2007. Procuro conselhos e dicas. Alinho em adesivos e pastilhas.

      Falta-me a motivação. Sou um Sputnik obsoleto e em queda. A multidão adepta da equipa adversária rejubila e grita “óles!” ante a minha incapacidade em não sair fintado.

Guarda para amanhã o que não acabarás por fazer hoje, bem podia ser o meu lema. O espelho da minha incapacidade. Uma criança pouco tentada pelas guloseimas de prémio.

      Não quero gastar dinheiro com tabaco. Sentir-lhe o cheiro (em mim e à minha volta). Não quero sentir-me asfixiado ao subir o último degrau. Eternamente cansado. Nem ouvir «Pai quando é que deixas de fumar?». Acabar com a minha tosse profunda, competindo, cavernosa, com o eco das grutas de Mira de Aire.

Quero assinalar o quadradinho do não fumador. Estar no café sem o cinzeiro à frente. Não entrar num estabelecimento e procurar, como quem está em Wimbledon assistindo atento bola cá bola lá à final, com o público antecipando o Match-point, até encontrar a zona de fumadores. Quero aparecer cedo para a caminhada. Não precisar de um cigarro para o stress, para entreter as mãos, para o tédio, para ajudar a passar o tempo, para acompanhar o café. Quero mudar de hábitos. Um cigarro a menos, uma passada firme. Outro cigarro a menos e o carro a cheirar a alfazema. Outro a menos pelos dedos não amarelecidos. Outro pela ilusão da roupa acabar de vir da loja a cheirar ao perfume da lojista. Tenho maços de anos para compensar. Anseio por verificar que consigo viver com isso. Melhor.

     Quero deixar de fumar. É um longo começo e eu, ainda, só dei os primeiros passos.

Quero ser forte. Um Hércules anti-tabágico. Um Popeye determinado de músculos poderosos. Continuam a faltar-me os espinafres adequados.

Sonho com um estádio cantando em uníssono We are the champions, em minha honra, embalados pela minha vitória esforçada.

Todavia, a equipa adversária continua a vencer. Ainda oiço os “olés!”. Continuo a ser implacavelmente fintado. Em constante fora-de-jogo. Another one bites the dust.

     Há sempre mais uma desculpa. Para mais eu nem sequer gosto dos Queen (true story). Sou mais Smoke on the water.

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publicado por Carlos M. J. Alves às 17:11





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